terça-feira, 1 de setembro de 2015

The Office


O escritório de trabalho é um local interessante para se estudar a natureza humana, pois trata-se de um ambiente onde as pessoas ficam relativamente confinadas juntas e não necessariamente se combinam,mesmo precisando desempenhar uma tarefa em conjunto. Os colegas de serviço acabam sendo presenças mais constantes do que a própria família ou amigos, criando uma ligação que pode evoluir para romances, amizades ou o oposto.
            Foi refletindo sobre este recinto que os comediantes britânicos Ricky Gervais e Stephen Merchant criaram para a BBC a série humorística The Office, que basicamente simula um documentário sobre o cotidiano na filial de uma empresa de papéis em uma pequena cidade na Inglaterra. Infelizmente ela durou apenas duas temporadas, pois os criadores decidiram “que não havia mais nada a ser acrescentado”, encerrando com um especial de Natal que funcionou como um epílogo para a história.
            O sucesso internacional foi tão grande que acabou gerando várias versões em diversos países, dentre elas uma americana pela NBC, cujo elenco era encabeçado pelo versátil Steve Carell interpretando o imprevisível e divertido Michael Scott, gerente regional da empresa Dundler Mifflin.
            Além do chefe “sem noção” (interpretado por Gervais na versão original), outros personagens foram mantidos como o vendedor desmotivado que é apaixonado pela recepcionista (sendo esta já comprometida com outra pessoa) e o bajulador que deseja tomar o lugar de seu patrão um dia.
            O grande mérito da versão americana foi não fazer uma cópia bonitinha, mas pegar a idéia da versão inglesa e expandi-la. Desta forma, além da filial na pequena cidade de Scranton (onde estão os protagonistas), temos o seu relacionamento com a matriz em Nova York e as outras sedes em diferentes cidades dos Estados Unidos, ampliando a dimensão da firma e possibilitando uma maior variedade de histórias.
            Assim como na questão geográfica, o perfil dos personagens pode ser melhor desenvolvido, especialmente o de Michael Scott e seu fiel aliado Dwight Schrute. As cenas envolvendo essa dupla são sempre o ponto alto dos episódios porque proporcionam a combinação de dois níveis de insanidade completamente diferentes.
Steve Carell interpretou sem sombra de dúvida um dos personagens mais brilhantes e complexos de sua carreira, conferindo ao gerente regional diferentes camadas de personalidade e surpreendendo o público sempre. Em alguns momentos é completamente mesquinho, vaidoso e egoísta, para depois se redimir revelando completamente o oposto. Esse aspecto agridoce já era comum na versão britânica.
Outro grande diferencial da leitura americana foi a evolução dos personagens secundários que acabaram gerando momentos antológicos ao longo das temporadas. Cada um tem o seu momento e essa sincronia permite vislumbrar o escritório como um todo orgânico, transformando o espectador num observador onisciente, que consegue até imaginar como será a reação dos funcionários a certos eventos.
A linguagem em estilo documentário já utilizada na versão original envolve o público na história e permite uma visão mais elaborada do que estamos assistindo, pois temos o acontecimento e os comentários dos envolvidos a respeito do mesmo, numa espécie de reality show fictício.
A série está terminou em sua nona temporada, mas o fato é que infelizmente a sua qualidade caiu um pouco com a saída de Steve Carell na sétima, já que ele era o mestre de cerimônias do espetáculo. Uma visão comovente e distorcida de um grupo de colegas de trabalho que não está tão distante de nossa realidade, o que a torna ainda mais atraente e divertida.
 Recomendo com força!!!
Gilson Salomão Pessôa é jornalista formado em Comunicação Social pela Universidade Federal de Juiz de Fora, com Pós Graduação em Globalização, Mídia e Cidadania pela mesma faculdade.
Contato por e-mail: gilson.salomao@gmail.com


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