terça-feira, 10 de novembro de 2015

Poema para qualquer hora

Um vento doce vai recobrindo as montanhas de saudade, iluminado pelo sereno perfume de tuas lágrimas. Tua boca eclode terremotos escondidos em abraços disfarçados. Um oceano de gritos é distraído pelo seu olhar de soslaio, que desperta dúvidas enquanto convida um infinito de idéias marejadas em cálices perdidos. Sonhos recobertos de memórias entrelaçam desatinos quebrantados de sussurros desafogados.Assim teu semblante vai redescobrindo ternuras disfarçadas em dedilhados suaves de fragrâncias furtivas, calejadas de dissabores apaixonados. E tudo mais vai sendo lentamente sublimado em suspiros abafados por vapores despejados em baús despedaçados de outonos ultrapassados. Quem sabe o tempo irá dissipar todas as mágoas, cristalizadas em momentos instantâneos enquanto eternos, desperdiçados em palavras distorcidas, dilaceradas. Os sintomas permanecem guardados nas lembranças empoeiradas de anteontem.

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